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Eu sou Irma Miranda.

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SOBRE

Sou Irma Teixeira de Miranda, nascida e criada na periferia do Rio de Janeiro. Graduada em Turismo pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, fui a primeira da minha família a conquistar um diploma universitário, o que representou não apenas uma realização pessoal, mas também uma vitória coletiva de muitas mulheres negras e periféricas que me antecederam.

Ativista antirracista e formada na vivência dos movimentos sociais voltados à defesa dos direitos humanos, tenho construído uma trajetória que une pesquisa, turismo e transformação social.

Nos últimos anos, vivo em Barcelona, onde curso meu segundo mestrado na Universidade de Barcelona e desenvolvo projetos ligados à memória da diáspora africana e ao turismo afrocentrado. Minha experiência profissional reflete esse caminho intercultural: trabalho com comunidades, instituições e coletivos que promovem o encontro entre pessoas negras da diáspora, fomentando a troca de saberes, o fortalecimento identitário e o reconhecimento da diversidade como potência.

Como mulher imigrante, aprendi que viver fora do meu país também é um ato político. Transformei os desafios da migração em ferramentas de autoconhecimento e construção coletiva, buscando ser ponte entre territórios, culturas e histórias. Hoje sigo comprometida em inspirar e fortalecer outras pessoas negras e periféricas, acreditando que o turismo e a educação podem ser caminhos de liberdade, dignidade e reparação.

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Um pouco mais da minha historia ...

Minha trajetória

Minha caminhada começou muito antes de eu ter consciência do que era “fazer turismo”. Crescer na periferia do Rio de Janeiro foi minha primeira escola: foi ali que aprendi sobre território, coletividade e resistência. As ruas, as festas populares e os encontros comunitários me ensinaram que o movimento é uma forma de aprender — e que viajar não é apenas deslocar o corpo, mas também a mente e o olhar.

Com o tempo, a vida me levou a percorrer outros caminhos, cruzar fronteiras e reinventar sentidos. Migrar para a Europa foi uma escolha e uma ruptura. Cheguei com o coração cheio de sonhos e o corpo carregando as marcas de quem vem de onde o mundo raramente olha. Ser imigrante me obrigou a aprender a me situar entre culturas, línguas e identidades, transformando a saudade em força criadora.

Na Espanha, encontrei um espaço para unir minhas paixões: o turismo, a educação e a pesquisa. Trabalhar com crianças e jovens em contextos vulneráveis na Fundació Catalunya La Pedrera me ensinou o poder da escuta e o impacto que o afeto tem no aprendizado. Já na APEC, como diretora adjunta de eventos e logística, aprendi sobre liderança, gestão coletiva e sobre o valor de criar espaços de encontro entre brasileiros, pesquisadores e a sociedade catalã.

Essas experiências me mostraram que o turismo pode ser um instrumento de transformação — quando feito com consciência, respeito e propósito. Por isso, dedico minha pesquisa ao Afroturismo, entendendo-o como uma ferramenta de reconexão com as origens, de cura e de fortalecimento da diáspora.

Hoje, minha trajetória segue entre continentes, mas sempre com os pés firmes na ancestralidade. Carrego comigo as vozes das mulheres da minha família, as lições das favelas do Rio e o compromisso de transformar cada passo em possibilidade de mudança. Continuo caminhando, acreditando que o verdadeiro destino é aquele que nos faz lembrar de quem somos e de onde viemos.

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